Moções

Pela Democracia, Liberdade de Expressão

O 14º. Congresso Internacional da Rede Unida se posiciona em defesa da democracia, duramente atacada no Brasil, considerando episódios de violação da vontade da comunidade universitária, que em 14 Universidade Federais, tiverem seu voto contrariado, quando os respectivos reitores, vencedores de eleições internas, não foram homologados pelo MEC para os seus mandatos.

Reforçamos a necessidade de se respeitar a liberdade de expressão, duramente ameaçada com atitudes intimidatórias, como a que ocorre com o Deputado Federal Alexandre Padilha, processado pelo CRM-SP por expressar opiniões relativas à reforma antimanicomial. Assim como ele, há dezenas de pessoas sofrendo constrangimentos semelhantes. Entendemos com uma questão política fundamental, previsto na Constituição Federal.

A democracia deve ser entendida como um valor fundamental, a ser defendida em todas as instâncias, como forma de garantir um avançado estágio civilizatório da sociedade.

14º. Congresso Internacional da Rede Unida.
Niterói, 28/10 a 01/11 de 2020.

MOÇÃO DE DEFESA DO SUS COMO SISTEMA DE DIREITO UNIVERSAL E FINANCIAMENTO PÚBLICO

O XIV Congresso Internacional da Rede Unida se posiciona em luta! Luta em defesa do SUS!  Somos contra estudos e projetos de modelos de negócios na atenção básica e em qualquer ponto do SUS! Saúde não é mercadoria! Defendemos – a muitas e múltiplas vozes – uma atenção básica produzida de modo compartilhado com as forças vivas dos territórios! Saúde é direito! Fim do teto de gastos! Mais recursos para o SUS, que é do povo brasileiro!

14º. Congresso Internacional da Rede Unida

Niterói, 28/10 a 01/11 de 2020.

CARTA DO III ENCONTRO DAS PARTEIRAS TRADICIONAIS DA REDE UNIDA AO 14º CONGRESSO INTERNACIONAL DA REDE UNIDA

Nós, parteiras tradicionais, nos reunimos virtualmente no III Encontro das Parteiras Tradicionais da Rede Unida no dia 29 de outubro de 2020, das 9 as 13 horas (horário Brasília), utilizando a Plataforma Zoom. Estiveram presentes Associações de parteiras e de mulheres, Grupo Curumim-PE, Instituto Mamirauá-AM, Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Solimões – DSEI ARS, Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde da Amazônia – LAHPSA/Fiocruz Amazônia, alunos de Pós-graduação da FIOCRUZ-AM e do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas/PPGICH/UEA, pesquisadores, professores e apoiadores das parteiras tradicionais em diversos lugares do Brasil.

O relato das parteiras mostrou a preocupação dos efeitos da pandemia sobre o seu trabalho e na vida de gestantes nas diferentes comunidades do país. Depois de discutir essa e outras situações nos vários Estados, levantamos as seguintes demandas para Secretarias Municipais de Saúde, Secretarias Estaduais de Saúde, parlamentares, Gestores de Instituições e para a Associação Brasileira Rede Unida.

  • Entrega de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), como álcool em gel, máscaras, para as parteiras tradicionais que atuam nas comunidades ribeirinhas e rurais da Amazônia e do país, principalmente no período da pandemia;
  • Apoiar com o transporte sanitário as parteiras que acompanham as gestantes que necessitam de cuidados nas maternidades;
  • Entrega de Kit das parteiras (bota, luvas, guarda-chuvas, touca, álcool em gel e máscara, capa de chuva, lanterna e tesoura) que consiste em materiais de proteção e de apoio para a realização do trabalho nas comunidades ribeirinhas e rurais;
  • Reposição de material utilizado pelas parteiras nos partos;
  • Apoio na realização de novas oficinas de Troca de Saberes para promover o encontro das parteiras e a sua qualificação;
  • Apoiar o intercâmbio das Associações de Parteiras Tradicionais para a troca de experiências e de conhecimento;
  • Implantar as Casas de Parto nos municípios com a participação das parteiras;
  • Apoiar o registro do ofício da parteira para torná-la Patrimônio Histórico Imaterial do Brasil;
  • Desenvolvimento do mapeamento das parteiras nos municípios para fortalecer o seu trabalho nas comunidades;
  • Sensibilizar os gestores municipais e estaduais para a ajuda de custo para as parteiras;
  • Realizar Encontros para a troca de conhecimentos sobre as plantas medicinais;
  • Criar leis estaduais que permitam a entrada das parteiras nas maternidades e que promovam a integração das parteiras nos serviços de saúde;
  • Divulgação das atividades das parteiras através de livros, cartilhas e outros.
  • Durante a pandemia, promover o fortalecimento do parto domiciliar assistido por parteiras, com retaguarda na rede e transporte, caso solicitado.

Associação das Parteiras Tradicionais do Estado do Amazonas – Algodão Roxo – APTAM

Associação das Mulheres Agroextrativistas do Médio Juruá, Amazonas -ASMAMJ

Rede das Parteiras Tradicionais do Estado do Amapá

Instituto Mulheres da Amazônia – IMA/AC

Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia – MAMA

Associação das Parteiras Tradicionais da Floresta de Marechal Thaumaturgo

Museu da Parteira-PE

MOÇÃO SOBRE A SAÚDE INDÍGENA

Dos territórios indígenas, das ruas, das praças, das favelas-quilombos, do sertão e do mar, das escolas, de muitos pontos do SUS, das residências multiprofissional, do Faz e do VER-SUS, com muito trabalho, poesia, teatro, música, circo, roda nos reunimos em rede, muitas redes, em rizoma, em defesa da mãe-terra, da vida em suas multiplicidades, do encontro dos muitos saberes! Re-existências, resistências, lutas, cuidado em invenção! Viva o SUS! Viva a rede unida, que somos todos nós em rizomas, em conexão!!

14º. Congresso Internacional da Rede Unida
Niterói, 28/10 a 01/11 de 2020.

NIFESTO: O PROJETO VER-SUS MARCOU CORPOS, CORAÇÕES E MENTES E OUTROS PRECISAM SER MARCADOS

Em tempos de adversidade e risco de desmonte do Sistema Único de Saúde, a resistência e a resiliência dos versusianos e versusianas se fazem presentes. Sim, estamos na luta! Isso porque acreditamos no Sistema Único de Saúde (SUS) como um projeto de sociedade. Fomos germinados por meio de um encontro de afecções entre estudantes de diferentes cursos de graduação, mediados através de afetamentos e engendramentos éticoestético-políticos que nos fizeram (re)apurar os múltiplos olhares para que pudéssemos ver, sentir, pensar a potência do encontro vivo e agir nela, seja entre os corpos ou entre os corpos e os territórios.
Nesse contexto, o Projeto Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde (VER-SUS) nasceu para afetar e transformar as trajetórias acadêmicas de estudantes no que se refere ao “sentir na pele” uma vivência junto ao SUS e, ao mesmo tempo, oxigenar ideias e disparar discussões para ressignificar a formação em saúde e para mobilizar “mentes e corações” na defesa deste Sistema, o que implica a defesa da vida.
Assim, o Projeto foi inspirado em experiências exitosas que proporcionaram uma aproximação dos e das estudantes com os territórios de vidas pulsantes, em cenários/contextos que nem sempre eram compreendidos no mundo teórico ou nas práticas curriculares, em um sentido de entender que o teórico e o prático formam um único plano de forças coletivas que são capazes de agenciar os nossos corpos.
Nesse sentido, toda a experiência vivida no Projeto VER-SUS é atravessada pelo processo de aprender e experienciar, de modo que a vivência deixou marcas, ou seja, estados inéditos que afetaram o processo formativo e o atual cenário de atuação dos versusianos e versusianas. Cada um destes estados constituiu-se em uma diferença que instaurou a abertura para a criação de um novo corpo (ROLNIK, 1993). Com isso, toda essa afetação só foi possível a partir de um olho vibrátil e um corpo sensível aos efeitos dos encontros e suas reações propiciados ao longo do VER-SUS (ROLNIK, 2007).
Hoje, ao rememorar o vivido por meio do VER-SUS, identificamos os impactos deste projeto no cenário em que atuamos, seja no Ensino, Gestão, Atenção e/ou Controle Social, de modo que reconhecemos a necessidade de possibilitar aos estudantes de graduação a vivência em Projetos que busquem, por meio do compartilhamento de saberes, de educação interprofissional e do comprometimento com o SUS, ressignificar a formação e a práxis dos futuros trabalhadores do SUS.
O VER-SUS acontece, então, desde 2002, como uma ferramenta estratégica que tem o intuito de formar trabalhadores e trabalhadoras para o SUS. Ele permite aos participantes a oportunidade de experimentarem um espaço de aprendizagem no próprio cotidiano dos dispositivos, observando o trabalho das organizações e serviços de saúde (BRASIL, 2015; FERLA; RAMOS; LEAL, 2013).
Com o decorrer do tempo, o Projeto avançou e retrocedeu algumas vezes, tendo como influência os contextos políticos de cada época. No entanto, foi a partir de 2004 que o VER-SUS foi capilarizado pelo Brasil de forma mais intensa, afetando estudantes das mais variadas áreas do conhecimento e nas diversas regiões do país, quando se tornou dispositivo da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS).
Entre 2012 e 2018, somamos mais de 17 mil viventes e facilitadores(as) imersos(as) pelas vivências do VER-SUS, mais de 3 mil estudantes, docentes e gestores(as) em comissões organizadoras, mais de 27 mil trabalhadores e trabalhadoras nos serviços de saúde que se envolveram e foram envolvidos(as) ao longo desses anos.
Estivemos presentes em mais de 20 estados brasileiros e em uma centena de municípios.
Somos muito mais do que números, pois, de Norte a Sul do Brasil, iniciativas ocorreram de forma independente, com recursos próprios, com fomento das Universidades, gestão local e até mesmo dos próprios viventes envolvidos no processo. Sim, somos muito mais que 17 mil afectados e afectadas! Mobilizamos corações e mentes nos múltiplos territórios e junto à diversidade de suas populações. Dos Pampas à Amazônia, percorremos Sertão e Cerrado em um movimento vivo e pulsante de defesa incondicional da vida e do SUS.
E se é “junto dos bão que a gente fica mió”, como nos diz Guimarães Rosa, mostramos que somos melhores ainda após passar por essa experiência na realidade do SUS. Atualmente, ocupamos espaços nas universidades, seja como docentes e/ou pósgraduandos e pós-graduandas; estamos nos espaços de decisão e articulação da saúde pública, nos conselhos locais, municipais e Conselho Nacional de Saúde; marcamos nossa presença nos serviços de atenção à saúde em todos os níveis de complexidade, no cuidado e na assistência; e, principalmente, colocamo-nos em defesa do SUS constantemente, mesmo em meio ao gritante desmonte que nos cerca diariamente.
Estamos diante de um silenciamento de um Projeto Nacional que segue ecoando no cotidiano do SUS, uma vez que fomos transformados e transformadas e prosseguimos transformando por aqueles que, infelizmente, não tiveram a mesma oportunidade que nós, porque acreditamos que o VER-SUS não se trata apenas de um mero estágio na realidade do SUS, mas uma potente ferramenta revolucionária para fortalecer a defesa de um sistema de saúde universal, gratuito e integral, que marca nossa formação, nossa história e transborda em nossa práxis.
Através deste documento escrito com muitas mãos, mas, principalmente, muita emoção, reforçamos a necessidade de que novas vivências sejam construídas, em todo território nacional, com recursos oriundos de várias fontes, para que outros, depois de nós, sejam impactados e impactadas por esta experiência transformadora. Que as vivências possam incluir estudantes de graduação, de pós-graduação, docentes, profissionais, e quem mais desejar conhecer a realidade do SUS em um país plural e diverso como o nosso.
Que ainda permeados em um estar que sufoca a experiência humana com técnicas e com tantos discursos atrozes, em um fazer robótico/caótico que visa à dilaceração do sentir humano, o VER-SUS se ergue com um grito coletivo para despertar os sujeitos em sua formação em um chamamento para a importância de se fazer e de sentir com o outro.
Criar e inventar modos de aproximar e estimular uma compreensão outra, onde o escutar implica na clareza que aquele/aquela que chega, tem uma realidade que quer ser acolhida, que deseja ser escutada, ser vista, ser sentida.
Assim, este lugar se faz como uma verdadeira forja de laços e novas visões de mundo, que vem com uma força a romper as séries de dilemas do mal-estar pelo qual caminha nosso século a passos largos. Que quebra as bolhas narcísicas, que trazem em si a constituição de um dos principais declínios de nosso tempo. Que convoca os que ali estão para um fazer que se insere como novo, porque não se implica em uma aceleração do que já está aí, mas sim, como um florear e florescer de sentir e realizar em comunhão e no coletivo.
Somos sementes, mas também somos árvores frondosas e frutíferas e não permitiremos que nos cortem as raízes. Cortam nossos galhos, nascemos de novo, ferem nosso tronco, brotamos. Não podem cortar nossas raízes, somos muitos e muitas e continuamos a semear por onde andamos, com quem falamos, no nosso cotidiano dos serviços, nas nossas rodas, nas nossas salas, nas nossas almas. Não podem cortar nossas raízes. Somos O VER-SUS! Mobilizamos corações e mentes em defesa da Saúde e do nosso SUS. Não podem cortar nossas raízes!!! Por isso mesmo, neste 14º Congresso Internacional da Rede Unida, estamos constituindo o “Movimento Fazer-SUS”, para transbordar a nós mesmos e contaminar outros corpos, corações e mentes.

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